DoContra

…algo sobre a inviabilidade da sobrevivência…

Arquivo da categoria ‘Poesia’

Amiri Baraka – Somebody blew up America

Publicado por docontra em Junho 26, 2008

Enviado em Poesia, Política Internacional | Tagged: , , , , , , , | Deixar um comentário »

A ingaia ciência

Publicado por docontra em Maio 13, 2008

Carlos Drummond de Andrade

A ingaia ciência

A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,

a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte numa cela.

A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência

e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a mão, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.

Enviado em Poesia | Tagged: , , , | Deixar um comentário »

Falta

Publicado por docontra em Julho 27, 2007

Acabo de receber um telefonema de um empolgado DoContra dizendo que todos estão a escrever, que o ‘blogue’ ressucitou, etc e tal…

Apesar de saber que é só fogo de palha…

precisei recorrer a uma sessão espírita e incoporar o espírito de FJDP*, poeta medíocre e desconhecido, para extrair-lhe alguns versos.

Acho que sua alma continua solitária…. aí vão os versos:

“O que nunca fomos

 

 

saudade da perna nunca tida
viagem a paraíso inatingível
esperar o cheiro não exalado

 

 

a falta de amor recria o passado”

*FJDP (*1914  +1984)

Enviado em Poesia | Deixar um comentário »

Publicado por docontra em Fevereiro 3, 2007

Cá estou pelas ruas do bairro rico
aos pés da serra sem curral sem horta nem galinheiro
é bela a vista de quem se posta de frente ao horizonte
abaixo, miséria e ostentação se cruzam entre um sinal e outro atropelamento

avenidas se alargam e alamedas somem
a cidade jardim perde a graça para as construtoras “progresso”
a praça* prisão de alívio em meio ao concreto
lagoa norte mal vê a serra sul
arquiteturas se esquecem
modernistas e neo-clássicos se distanciam no neo-baranguismo que assola as ruas do bairro rico
(já viram os ridículos muros de vidro cercados por câmeras digitais?)
nas favelas, compensado amianto zinco e passado

 

 

*chamada Liberdade

Enviado em Poesia | Deixar um comentário »

Recomeço

Publicado por docontra em Janeiro 5, 2007

A loucura passou por aqui
em presentes não esperados
Eram tempos de horas não ditas
São temperaturas indescentes
Panópticos em mil novecentos e oitenta e quatroS

Fuga em segundos incontáveis
ínfimos, infinitos fragmentos
Holisticamente são.
Pergunto a um Napoleão o que é a sanidade.

Enviado em Cachaça, Poesia | Deixar um comentário »

Publicado por docontra em Dezembro 2, 2006

Da incoerência do sábio

Da sabedoria do inconsistente

Da inconsistência do crente

Da crença do incoerente

 

do contraditório nem sempre nítido

 

De tudo isso

 

do amor, do ódio, dos desencontros premeditados e dos encontros inesperados

 

Faz-se uma vida e um jornal.

Faz-se um país e não-cidadãos

Faz-se o que não pode ser feito.

 

Só não se faz poesia!

Enviado em Poesia | Deixar um comentário »

A Exceção e a Regra, Brecht

Publicado por docontra em Outubro 30, 2006


Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra.

Enviado em Poesia | Deixar um comentário »

de poeta pernambucano

Publicado por docontra em Setembro 30, 2006

“Eleição é apenas o dia marcado

para o povo abestalhado

escolher a marca da vaselina

com que vai ser enrabado”

(publicado na coluna do Zé Simão, FSP, 30 de setembro)

Enviado em Brasil, Poesia | Deixar um comentário »

…mais uma do poeta medíocre

Publicado por docontra em Setembro 20, 2006

13/08/1953

foco

Busco?
Todos estão a buscar algo!
sigo…
digo o que quero
sem o saber
sigo…
sonho
sono
e a profunda sensação de que nada basta

(se nada basta)

nada presta
Inviável ser
necessidade irrecusável do ter
sigo…
sonho…

minto.

 

(fjdp. *1914 +1984)

Enviado em Poesia | Deixar um comentário »

Justaday

Publicado por docontra em Setembro 9, 2006

We can make it now!

But…

What do we wanna make now, at instance?

Vou seguindo um choro sem fim

sentindo velhos sambas retumbarem meu peito

vendo o mundo girar… tento segui-lo

foram-se as horas e os dias e aqueles amigos da infância

ficam as horas e os dias e as ilusões bem-vindas

But I realy don’t know where I wanna go…

apenas sigo estrada perdida

entres teclas e o sol que se põe tímido à janela

nada mais cham’atenção

nem a manchete real e dura:

na nossa cara, a inviabilidade da vida

e em meus olhos além…

a imagem nítida de quem tem medo de amar!

Escrito por FJDP, poeta morto, desconhecido exatamente por ser medíocre

Enviado em Poesia | 1 Comentário »