Arquivo da categoria ‘Poesia’
A ingaia ciência
Publicado por docontra em Maio 13, 2008
Carlos Drummond de Andrade
A ingaia ciência
A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,
a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte numa cela.
A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência
e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a mão, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.
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Falta
Publicado por docontra em Julho 27, 2007
Acabo de receber um telefonema de um empolgado DoContra dizendo que todos estão a escrever, que o ‘blogue’ ressucitou, etc e tal…
Apesar de saber que é só fogo de palha…
precisei recorrer a uma sessão espírita e incoporar o espírito de FJDP*, poeta medíocre e desconhecido, para extrair-lhe alguns versos.
Acho que sua alma continua solitária…. aí vão os versos:
“O que nunca fomos
saudade da perna nunca tida
viagem a paraíso inatingível
esperar o cheiro não exalado
a falta de amor recria o passado”
*FJDP (*1914 +1984)
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Publicado por docontra em Fevereiro 3, 2007
Cá estou pelas ruas do bairro rico
aos pés da serra sem curral sem horta nem galinheiro
é bela a vista de quem se posta de frente ao horizonte
abaixo, miséria e ostentação se cruzam entre um sinal e outro atropelamento
avenidas se alargam e alamedas somem
a cidade jardim perde a graça para as construtoras “progresso”
a praça* prisão de alívio em meio ao concreto
lagoa norte mal vê a serra sul
arquiteturas se esquecem
modernistas e neo-clássicos se distanciam no neo-baranguismo que assola as ruas do bairro rico
(já viram os ridículos muros de vidro cercados por câmeras digitais?)
nas favelas, compensado amianto zinco e passado
*chamada Liberdade
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Recomeço
Publicado por docontra em Janeiro 5, 2007
A loucura passou por aqui
em presentes não esperados
Eram tempos de horas não ditas
São temperaturas indescentes
Panópticos em mil novecentos e oitenta e quatroS
Fuga em segundos incontáveis
ínfimos, infinitos fragmentos
Holisticamente são.
Pergunto a um Napoleão o que é a sanidade.
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Publicado por docontra em Dezembro 2, 2006
Da incoerência do sábio
Da sabedoria do inconsistente
Da inconsistência do crente
Da crença do incoerente
do contraditório nem sempre nítido
De tudo isso
do amor, do ódio, dos desencontros premeditados e dos encontros inesperados
Faz-se uma vida e um jornal.
Faz-se um país e não-cidadãos
Faz-se o que não pode ser feito.
Só não se faz poesia!
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A Exceção e a Regra, Brecht
Publicado por docontra em Outubro 30, 2006
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de poeta pernambucano
Publicado por docontra em Setembro 30, 2006
“Eleição é apenas o dia marcado
para o povo abestalhado
escolher a marca da vaselina
com que vai ser enrabado”
(publicado na coluna do Zé Simão, FSP, 30 de setembro)
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…mais uma do poeta medíocre
Publicado por docontra em Setembro 20, 2006
13/08/1953

Busco?
Todos estão a buscar algo!
sigo…
digo o que quero
sem o saber
sigo…
sonho
sono
e a profunda sensação de que nada basta
(se nada basta)
nada presta
Inviável ser
necessidade irrecusável do ter
sigo…
sonho…
minto.
(fjdp. *1914 +1984)
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Justaday
Publicado por docontra em Setembro 9, 2006
We can make it now!
But…
What do we wanna make now, at instance?
Vou seguindo um choro sem fim
sentindo velhos sambas retumbarem meu peito
vendo o mundo girar… tento segui-lo
foram-se as horas e os dias e aqueles amigos da infância
ficam as horas e os dias e as ilusões bem-vindas
But I realy don’t know where I wanna go…
apenas sigo estrada perdida
entres teclas e o sol que se põe tímido à janela
nada mais cham’atenção
nem a manchete real e dura:
na nossa cara, a inviabilidade da vida
e em meus olhos além…
a imagem nítida de quem tem medo de amar!
Escrito por FJDP, poeta morto, desconhecido exatamente por ser medíocre
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