DoContra

…algo sobre a inviabilidade da sobrevivência…

Arquivo da categoria ‘Editorial’

Sai um fricasé à brasileira de neném dourado!

Publicado por docontra em Março 8, 2008

Tardiamente, tomo conhecimento do excelente Swift e sua ’solução heterodoxa’ para a pobreza na Irlanda setecentista e me pergunto: se foi ele quem sugeriu a comilança de crianças, por que os capitalistas que vieram depois, já no famigerado século XX, vão projetar em seus opositores mais ferrenhos a alcunha de infantofágicos? Não seriam os próprios descendentes dos burgueses originais os primeiros a, literalmente, banquetearem-se de inocentes crianças?

O prefácio à edição brasileira do satírico conto de Swfit “Modesta Proposta” não exita em nos apresentar exemplos do farto menu de infantes servidos nos mais requintados jantares do lucro. A globalização traz à mesa das grandes corporações feições de todas as etnias, servidas com temperos exóticos aos interesses do capitalismo. Meninos e meninas são ‘capital humano’ em todas as escalas da cadeia de produção e reprodução dos meios de vida.

Enquanto em terras asiáticas são servidas, ainda tenras, em fábricas de tênis e prostíbulos de Singapura, aqui em Pindorama, se oferecem como prato de deliciosa satisfação em carvoarias, plantações de cana e nas calçadas de Copacabana.

Agora, prezado não-leitor, permita-me deixar de lado o tema, pois a larica instala-se em meu estômago e, na geladeira aguarda ao apetite deste ‘anarcoecumênicosocialista’ DoContra, um belo e rosado garotinho. Pronto para ser assado com batatas colhidas por algum contemporâneo seu!

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Imperialismo

Publicado por docontra em Julho 27, 2007

Ação das forças americanas deixa 17 mortos em Kerbala, no Iraque (http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u315693.shtml)

27/07/2007 – 17h23 – da Folha Online

O Exército dos Estados Unidos afirma ter matado cerca de 17 “insurgentes” (insurgente ótimo!)

….. As autoridades iraquianas, porém, afirmam que há civis entre os mortos e que ao menos 23 pessoas ficaram feridas.

 

……. Os confrontos começaram na madrugada desta sexta-feira, quando as forças especiais dos elevando o número de vítimas para ao menos 31 mortos e 104 feridos.

26.jul.07 – Fadhil Maliki/AP
Iraquianos limpam os estragos causados por ataque suicida contra torcedores de futebol
Iraquianos limpam os estragos causados por ataque suicida contra torcedores de futebol

…. Em outros incidentes, mais de 20 pessoas foram mortas ou encontradas mortas em todo o Iraque nesta sexta-feira, dia de descanso e orações para os muçulmanos….

…. Sete policiais de uma patrulha foram mortos por uma bomba de beira de estrada em Samarra, 100 km ao norte de Bagd….

… A polícia informou ainda que encontrou sete corpos na região de Bagdá, supostas vítimas da violência sectária que atinge o país, e que duas bombas de morteiro mataram uma mulher e feriram duas outras pessoas, incluindo uma criança ….

… duas pessoas morreram e outra ficou ferida em um ataque de foguetes que destruiu uma casa no sul de Kirkuk….

Americanos
Caetano Veloso

Americanos pobres na noite da Louisiana
Turistas ingleses assaltados em Copacabana
Os pivetes ainda pensam que eles eram americanos
Turistas espanhóis presos no Aterro do Flamengo
Por engano
Americanos ricos já não passeiam por Havana
Viados americanos trazem o vírus da aids
Para o Rio no carnaval
Viados organizados de São Francisco conseguem
Controlar a propagação do mal
Só um genocida em potencial
– De batina, de gravata ou de avental –
Pode fingir que não vê que os viados
– Tendo sido o grupo-vítima preferencial –
Estão na situação de liderar o movimento para deter
A disseminação do HIV

Americanos são muito estatísticos
Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos
Olhos de brilho penetrante que vão fundo
No que olham, mas não no próprio fundo

Os americanos representam grande parte
Da alegria existente neste mundo

Para os americanos branco é branco, preto é preto (e a mulata não é a tal)
Bicha é bicha, macho é macho
Mulher é mulher e dinheiro é dinheiro

E assim ganham-se, barganham-se, perdem-se
Cocedem-se, conquistam-se direitos
Enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime

E dançamos com uma graça cujo segredo nem eu mesmo sei
Entre a delícia e a desgraça
Entre o monstruoso e o sublime

Americanos não são americanos
São velhos homens humanos
Chegando, passando, atravessando
São tipicamente americanos

Americanos sentem que algo se perdeu
Algo se quebrou, está se quebrando

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Morreremos nús

Publicado por docontra em Março 17, 2007

Caro ninguém,

 

prezado não-leitor,

 

DoContra é uma produção coletiva da esquizofrenia, é certo! E é idealização minha, editorialista e escritor (Ctrl C Ctrl V) da coluna Brasil.O princípio DoContra era a máxima que diz: “ou você está iludido, ou é niilista, ou é drogado”. Desacretidar, des-esperar é o principal sintoma do mal do fim (ou início) do século. E está difícil (ou muito fácil) ser irônico nesses tempos. O calor global nos desengana; a falta de dignidade como razão do humano autônomo nos mutila; a gratuidade (banalidade) dos atos de violência nos atinge; a insensibilidade e o egoísmo nos mata.

 

A insanidade é coletiva. A doença é epidêmica.

 

A crise DoContra aí está: quando a morte banal e estúpida nos bate à cara; quando as notícias próximas nos trazem atos bárbaros que não poderiam ser classificados animalescos, mas sim próprios, únicos da nossa espécie suicida; como continuar a escrever ironias sobre “a inviabilidade da sobrevivência”?

 

Esta não é uma nota de despedida, ou fechamento DoContra. As demais editorias estão convidadas e devem continuar a escrever (ou começar, ou escrever seu 2º texto).

 

Mas é que não dá mais… a tristeza é latente e já não há mais nem a desilusão. Indignação? Indignado estou por toda a humanidade. E, se assim é, não resta nem a indignação.

 

 

Foto de Isabel Garçoni

(foto: Bel de Cristo Garçoni)

… a contradição, somos a favor:

 

Cálice

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque e Gilberto Gil

(refrão)
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

(refrão)

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

(refrão)

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

(refrão)

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguem me esqueça

 

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Quem tinha que ouvir…

Publicado por docontra em Fevereiro 4, 2007

Por favor, dileto leitor, não creie que qualquer dos editores “DoContra” perca seu tempo lendo o blog do jornalista abaixo… mas é que desta vez ele foi bem em sua ironia. Melhor, ele não. Seus patrões! 

03/02/2007  – Josias de Souza

As manchetes deste sábado

 

- Folha: Cientistas prevêem futuro sombrio para a Terra

- Estadão: Aquecimento global é irreversível

- Globo: S.O.S. planeta

- Correio: Aquecimento global é irreversível, alerta ONU

- Valor: Indústria do petróleo caça mão-de-obra especializada

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Voz

Publicado por docontra em Outubro 9, 2006

O trecho abaixo está em ensaio/artigo de Fábio Malini, professor da UFES e doutorando de Comunicação e Cultura pela UFRJ. O ensaio pode ser encontrado em: http://www.rits.org.br/redes_teste/rd_tmes_set2006.cfm … O conselho editorial DoContra acredita não ser necessário qualquer comentário a respeito.

“Num bairro pobre de Lima, um grupo de mulheres organizou um mercado. Nele havia um gravador e alto-falantes, que apenas o administrador utilizava. Com a colaboração de um grupo de apresentadores, as mulheres do mercado começaram a usar o gravador para saber o que os habitantes do bairro pensavam sobre o mercado, para tocar música nas festas e para outros fins. Até que a censura se apresentou, na figura de uma religiosa que ridicularizou o jeito de falar dessas mulheres e condenou a ousadia de pessoas que, “sem saber falar”, atreviam-se a usar dos alto-falantes. Provocou-se assim uma crise; durante algumas semanas, as mulheres não quiseram saber mais do caso. Algum tempo depois, porém, o grupo de mulheres procurou os apresentadores e afirmou: “Pessoal, a gente descobriu que a religiosa tem toda a razão; a gente não sabe falar, e nesta sociedade quem não sabe falar não tem a menor possibilidade de se defender nem pode nada. Mas a gente também passou a entender que com a ajuda desse aparelhinho aqui – o gravador – a gente pode aprender a falar”. Desde esse dia as mulheres do mercado decidiram começar a narrar suas próprias vidas; deixando de usar o gravador apenas para escutar o que os outros diziam, elas passaram a usá-lo para aprender a falar por si próprias.” (MARTIN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações – comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: EDUFRJ, 1997, p.257).

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We fuck the world

Publicado por docontra em Setembro 20, 2006

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Editorial 2

Publicado por docontra em Agosto 23, 2006

Foucault, Arendt, Agamben, Deleuze, e os caras que hoje conseguem juntá-los em argumentos plausíveis: somos a favor!

Sartre…

Camus, Orwell e a impossibilidade de vê-los numa mesma frase: somos a favor!

A flor que nasce no asfalto e um homem que se sabe só e não pode explodir a Ilha de Manhatan: somos a favor!

Desobediência civil e silêncio cidadão: somos a favor!

Vinho e outras as drogas e a busca desmedida pelo prazer: somos a favor!

Sexo!: somos a favor!

E acho que é isso e à História.

Chega de editorial

Nova campanha: não ao editorial!

Último editorial

no mundo cibernético, somos a favor do “creative commons” e do “copy left” e da necessidade de se criar termos em português para designar a livre circulação da informação e do conhecimento.

DoContra é contra todos os que acreditam na salvação/libertação através da tecnologia digital… tic… tic…

A CONTRADIÇÃO: SOMOS A FAVOR!

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Mal-vindo

Publicado por docontra em Agosto 19, 2006

Seja mal-vindo ao DoContra!

Editorial:

Otimistas, sonhadores e iludidos: somos contra

A guerra mundial, políticos israelenses, norte-americanos, ingleses, italianos…: somos contra

Terroristas, fundamentalistas, suicidas: somos contra

Liberais, capitalistas, usurpadores, banqueiros e especuladores: somos contra

Comunistas, retrógrados anarquistas, sonhadores e iludidos (novamente): somos contra

Coroneis e seus currais:somos contra

Tucanos, pefelistas, ladrões e assassinos: somos contra

Petitas iludidos e ‘desilusores’, mensalistas e seus generosos “papais”: somos contra

Todos os que também são do contra: somos contra!

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