DoContra

…algo sobre a inviabilidade da sobrevivência…

O fim do mundo e a droga de Brasília

Publicado por docontra em Agosto 26, 2008

Aqui quem fala, após meses de distância, é o editor Brasil doContra. É que li um artigo num blog sério com o título ‘A Água de Brasília’. É sério o blog e também o artigo. Mas vou me permitir um excerto que, fora do contexto, pode parecer absurdo. É no mínimo muito engraçado.

Conta a história que um carioca descontente com a mudança da capital para Bras-ilha, resolveu vingar-se colocando nos mananciais que abastecem o planalto e a esplanada um poderoso alucinógeno, que tira das pessoas que ali trabalham a capacidade de apreender o mundo conforme ele se apresenta em realidade. Estaria aí a explicação de todos os males vividos por nosso país nas últimas décadas. Alienados pela droga, nossos governantes nunca poderiam perceber a iminência do fim do mundo.

Adorei a teoria. Eu até já havia pensado que na cadeira do presidente deveria haver algum tipo de seringa que injetasse nos glúteos do poder doses elevadas de ácido lisérgico ou algum opiácio. Porém, desisti de minha teoria ao ver brilhantes mentes revelando obviedades que insistiam em permanecer veladas após o uso de heroína, LSD ou um chazinho de cogumelo. Eu mesmo, depois de tomar um quartinho de doce (gíria para um pedacinho de papelão embebido em LSD), já tive visões esclarecedoras do mundo. Por exemplo, foi numa dessas viagens que percebi a inviabilidade da sobrevivência e decidi juntar-me a este não-blog.

Hoje, mesmo com os dramáticos diagnósticos e prognósticos e a falta de profilaxias viáveis, temos notícias de decisões que são tomadas em Bras-ilha sobre questões econômico-ambientais que apenas nos mostram a miopia do poder. Se não são capazes de buscar os remédios para a doença do planeta, que pelo menos parem as ações que só agravam seu quadro clínico.

O problema é que os poderosos estão mesmo é enlouquecidos pela droga do capital. Esse é o alucinógeno que os impede de ver o que já está alarmado em relatórios e pesquisas.

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Amiri Baraka – Somebody blew up America

Publicado por docontra em Junho 26, 2008

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A ingaia ciência

Publicado por docontra em Maio 13, 2008

Carlos Drummond de Andrade

A ingaia ciência

A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,

a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte numa cela.

A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência

e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a mão, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.

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Ciência

Publicado por docontra em Maio 12, 2008

“Quando se imagina que a ciência nos ajudou a vencer o terror do desconhecido na Natureza, somos escravos das pressões sociais que essa mesma ciência criou. Quando nos convidam a agir independentemente, pedimos modelos, sistemas, autoridades. Se quisermos verdadeiramente emancipar o homem do medo e da dor, então a denuncia do que hoje se chama razão e ciência é o melhor serviço que a razão pode prestar.”

Horkheimer

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Eu, heim?!

Publicado por docontra em Abril 18, 2008

Movimento São Paulo Nunca Mais

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Sai um fricasé à brasileira de neném dourado!

Publicado por docontra em Março 8, 2008

Tardiamente, tomo conhecimento do excelente Swift e sua ’solução heterodoxa’ para a pobreza na Irlanda setecentista e me pergunto: se foi ele quem sugeriu a comilança de crianças, por que os capitalistas que vieram depois, já no famigerado século XX, vão projetar em seus opositores mais ferrenhos a alcunha de infantofágicos? Não seriam os próprios descendentes dos burgueses originais os primeiros a, literalmente, banquetearem-se de inocentes crianças?

O prefácio à edição brasileira do satírico conto de Swfit “Modesta Proposta” não exita em nos apresentar exemplos do farto menu de infantes servidos nos mais requintados jantares do lucro. A globalização traz à mesa das grandes corporações feições de todas as etnias, servidas com temperos exóticos aos interesses do capitalismo. Meninos e meninas são ‘capital humano’ em todas as escalas da cadeia de produção e reprodução dos meios de vida.

Enquanto em terras asiáticas são servidas, ainda tenras, em fábricas de tênis e prostíbulos de Singapura, aqui em Pindorama, se oferecem como prato de deliciosa satisfação em carvoarias, plantações de cana e nas calçadas de Copacabana.

Agora, prezado não-leitor, permita-me deixar de lado o tema, pois a larica instala-se em meu estômago e, na geladeira aguarda ao apetite deste ‘anarcoecumênicosocialista’ DoContra, um belo e rosado garotinho. Pronto para ser assado com batatas colhidas por algum contemporâneo seu!

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Triste a nação que lê Mainardi

Publicado por docontra em Fevereiro 2, 2008

Fosse eu o ditador do Brasil, mandaria ao exílio perpétuo todos aqueles que fizeram de Diogo Mainardi o quinto mais vendido na lista dos ‘não-ficção’.

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Nada Seguro

Publicado por docontra em Janeiro 6, 2008

Nada seguro

Em alguns dias, a explicação…

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Falta

Publicado por docontra em Julho 27, 2007

Acabo de receber um telefonema de um empolgado DoContra dizendo que todos estão a escrever, que o ‘blogue’ ressucitou, etc e tal…

Apesar de saber que é só fogo de palha…

precisei recorrer a uma sessão espírita e incoporar o espírito de FJDP*, poeta medíocre e desconhecido, para extrair-lhe alguns versos.

Acho que sua alma continua solitária…. aí vão os versos:

“O que nunca fomos

 

 

saudade da perna nunca tida
viagem a paraíso inatingível
esperar o cheiro não exalado

 

 

a falta de amor recria o passado”

*FJDP (*1914  +1984)

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