Exaltado frente às acusações infundadas de dois jornalistas, o Ministro Juca Ferreira (Cultura) saiu-se com a seguinte frase: “Meu pinto, meu estômago, meu coração e meu cérebro são uma linha só.” Foi uma resposta ao repórter que questionava seu indefectível modo de se expressar. Sobre o episódio, cabe aqui um parágrafo do ‘Elogio da Loucura’, de Erasmo de Rotterdam (1469-1536). Diz a Loucura, em primeira pessoa:
(…) em uma palavra, por mais sábio que possa ser, se quiser obter os prazeres da geração, é a mim, e somente a mim que ele deve recorrer.
Mas, por que não vos dizer, segundo meu costume, as coisas muito naturalmente? Dizei-me, peço-vos, é a cabeça, o rosto, o peito, as mãos, as orelhas, é algum desses membros honestos que hengendra os deuses e os homens? Em absoluto. A parte que serve à propagação do gênero humano é tão doida, tão ridícula, que não saberíamos nomeá-la sem rir. No entanto, é dessa fonte sagrada, bem mais que dos números de Pitágoras, que decorre a vida de todos os seres.
Ao Ministro, a homenagem DoContra, por sua sadia Loucura de tentar fazer abrir os olhos contra a hipocrisia, o moralismo retrógrado, a dominação dos valores burgueses. Por sua gestão inconteste à frente das políticas públicas pela Cultura, entendendo-a como fator essencial à construção da soberania nacional e da identidade do brasileiro em meio à sua enorme diversidade de costumes, crenças, fazeres e saberes.
Juca, para ser ministro não é preciso ser eunuco, como afirmou em sua entrevista a Jotabê Medeiros. Mas, sim, ter na Deusa Loucura sua fonte inspiradora, pois só com paixão e entrega será possível mudar o quadro geral da nação. Quanto ao fato de alguns jornalistas serem pagos para mentir, lembre-se que muitos são pagos para calar.